domingo, 26 de agosto de 2018

A PRELIMINARY ASSESSMENT OF THE EU PROPOSAL ON SIGNIFICANT DIGITAL PRESENCE: A BRAVA ATTEMPT THAT REQUIRES AND DESERVES FURTHER ANALYSIS – Eva Escribano


Neste texto, autora espanhola analisa a proposta da União Eropeia para alcançar as inovações da economia digital, trazendo a ideia de presença digital significativa para complementar o conceito de estabelecimento permante. Logo no título, ela já caracteriza a proposta como uma “corajosa tentativa que exige e merece uma análise mais profunda”.

Nesse caminho, ela narra que a UE lançou um pacote de medidas com duas propostas de diretiva: (i) o estabelecimento do conceito de “presença digital significativa” SDP-PE, como uma solução definitiva e (ii) a adoção de um imposto sobre serviços digitais – DST – como medida provisória de transição até a implementação do Sistema de presença digital significativa.

No segundo tópico do artigo, Eva trata dos objetivos gerais perseguidos pela Direitiva da UE, quais sejam, a) proteger a integridade do mercado único e garantir o seu bom funcionamento; b) assegurar que as finanças públicas dos Estados-Membros sejam sustentáveis e que as bases fiscais nacionais não sofram erosão no futuro; c) assegurar que a justiça social seja preservada e que haja igualdade de condições para todas as empresas que operam, bem como uma tributação mais eficiente que capture apropriadamente a criação de valor; e d) lutar contra o planejamento tributário agressivo e fechar as lacunas que atualmente existem nas normas internacionais.

Eva considera os dois primeiros pontos como autoexplicativos e se dedica a esclarecer os dois segundos.

Sobre o conceito de justiça social, que a autora considera ambíguo, ela esclarece que há duas diretrizes nele contidas: (i) assegurar condições equitativas para todas as empresas atuantes na UE, o que seria alcançado na fase inicial através do DST, e (ii) alinhar tributação com a respective criação de valor.

Em relação ao objetivo de evitar planejamentos tributários agressivos, Eva entende que não se trata exatamente de evasão fiscal, mas de problemas nas regras, que se restringem a capturar certas situações. Para além disso, parece haver objetivos específicos relacionados com a proposta de SDP-PE, que seria um “veículo para garantir uma tributação “justa e eficiente” da economia digital, onde “atividades digitais” podem ser satisfatoriamente capturadas, quando apropriado”.

Apesar de a União Eropeia não ter explicitados os critérios utilizados para a determinação das atividades digitais abrangidas, a auora entende estar tudo ligado à ideia de criação de valor.

Nesse aspecto, percebe-se que tanto a CE, quanto a OCDE estão alinhadas, impulsionadas pela mesma ambição. No entanto, Eva percebe uma dificuldade na utilização desse critério, quando se considera o princípio da residência fiscal, orientador da competência tributária internacional. Para ela, o critério da residência fiscal não estaria relacionado com a criação de valor, podendo tributar um residente, independentemente do resultado econômico trazido para o país. A ideia de ciração de valor, portanto, não seria um princípio subjacente às regras atuais de definição da jurisdição competente para tributar.

Ultrapassada esta crítica, em que a autora expressamente não se aprofunda, analisa-se a contribuição dos usuários para a criação de valor por determinado serviço digital.

Em razão das rápidas transformações no mundo modern, especialmente na economia digital, a ideia de geração de valor não pode mais ser associada simplesmente ao lucro obtido, de maneira objetiva. Ela ganhou uma conotação quase que intangível, mas de grande importância, que está relacionada aos usuários de cada serviço digital. Nesse sentido, Eva descreve alguns cenários em que o usuário gera valor:

a)    Valor derivado dos dados do usuário: aplicável para plataformas que colhem dados dos usuários e os monetizam para melhorar a experiência de outros usuários, ampliar o alcance da plataforma, atingir públicos específicos, etc. Ex.:  redes sociais.
b)    Valor derivado da participação do usuário: associado aos “efeitos de rede”. As decisões dos usuários possam ter um impacto direto no benefício recebido por outros usuários e, por extensão, no sucesso do fornecedor do serviço. Ex.: plataformas de interação do usuário (Facebook, Instagram, Linkedin, whatsapp); plataformas onde o usuário gera conteúdo (YouTube, Twitter, Wikipedia); plataformas de Mercado para os usuários (B2B, B2C, C2C – Amazon, AliExpress, Airbnb).

O alinhamento entre tributação e criação de valor, contudo, enfrenta grandes desafios, como determiner o local onde o valor está sendo gerado, quem será o contribuinte, como quantificá-lo de maneira razoável. Como mensurar a geração de valor nesse novo modelo de economia mundial? Como determinar a jurisdição competente para tributar, quando as empresas têm atuação mundial, ainda que possuam sede em apenas um país? Como localizar geograficamente a contribuição dos usuários?

Além disso, a geração de valor de uma empresa não vem apenas dos usuários, mas também do time de engenheiros que elaborou a plataforma, de analistas que adminstram os dados, etc. Coloca-se, então, em questão, se esses outros fatores também deveriam ser considerados para a apuração de geração de valor.

No terceiro tópico do Artigo, Eva analisa os “limiares” para se configurar o SPD-PE, pontuando que ele encontra precedente do conceito de “presença econômica significativa” do projeto BEPS de 2015. Assim, três requisitos devem ser cumpridos de forma cumulativa: a) o contribuinte deve estar no âmbito pessoal da cláusula; b) contribuinte deve prestar serviços digitais e c) o contribuinte deve superar determinados limites quantitativos.

Analisam-se, portanto, os requisitos da proposta de diretiva.

O contribuinte: para se considerar a existência do SDP-PE em um estado-membro, o contribuinte deve cumprir três requisitos: (i) ser uma entidade que realiza negócios, o que abrange indivíduos, apesar deles raramente atingirem os limites quantitativos; (ii) ser residente em um estado-membro, considerando que as principais multinacionais possuem subsidiárias na Europa; e (iii) prestar serviços num estado-membro, de acordo com os limites quantitativos demonstrados abaixo.

Conceito de Serviços digitais: “serviços que são fornecidos através da Internet ou de uma rede eletrônica e cuja natureza torna o seu fornecimento essencialmente automatizado e envolvendo intervenção humana mínima, e impossível de assegurar na ausência de tecnologia da informação."

Neste ponto, a autora aborda o que seria uma falha da Diretiva, ao limitar-se a serviços essencialmente automatizados, o que excluiria serviços prestados por um professional remotamente, já que seu fornecimento decorre do esforço intellectual humano. Para tanto, ela propõe uma interpretação extensiva, no sentido de que “o fornecimento ou a prestação do serviço seja realizado de forma essencialmente automatizada, enquanto a intervenção humana pode surgir no que diz respeito à criação intelectual do produto subjacente a que o serviço se refere.”. Se não for assim, não faia sentido a Diretiva abordar plataformas de flmes, por exemplo, e excluir download de palestas filmadas.

A proposta de diretiva enumera uma série de serviços que devem ser abrangidos pelo âmbito de aplicação da cláusula do SDP-PE no seu artigo 3.5 e do seu anexo II, em que estão listados 26 serviços que serão presumivelmente abrangidos. Estas disposições devem ser lidas em conjunto com o Anexo III, que enumera 19 serviços que não devem ser considerados como “serviços digitais” para os fins da regra. Esta enumeração, segundo Eva, encontra-se claramente inspirada nas regulamentações do IVA.

Neste ponto, a autora pontua algumas incongruências ou entrelinhas contidas na enumeração dos serviços, como o fato de ser mencionado “produto digitalizado” e não digital, o que denota o intuit de abranger mercadorias originalmente físicas.

Ao longo desta análise, Eva sempre traz a questão da participação humana no projeto, questionando se ela desenquadraria ou não o serviço, em razão da necessidade de ser essencialmente automatizado, sempre recorrendo ao exemplo de conteúdos educacionais produzidos por um professor.

Por fim, ela expõe sua interpretação no sentido de que a enumeração dos serviços não seria exaustiva, mas exemplificative, podendo se enquadrar na proposta SDP-PE outros ali não citados, mas que se enquadrem nos requisitos.

Ainda no terceiro tópico, Eva se propõe a avaliar se as regras expostas na Diretiva são coerentes com seus objetivos gerais. No ponto relativo ao alinhamento e criação de valor, ela entende que não há coerência, já que nem sempre é possível presumir que os usuários estão, de fato, gerando valor para a empresa. Isso a leva a acreditar que que a Diretiva, implicitamente, busca outros fins, mas não delieia quais seriam eles. Por outro lado, haveria outros serviços, cuja geração de valor seria clara, mas não estão abrangidos pelo Anexo II da Diretiva, como as redes sociais.

Limites quantiativos: a Diretiva prevê 3 elevados limites quantitativos, a serem analisados de maneira não cumulativa. De plano, Eva já ressalta a facilidade das empresas difundirem-se para não serem abrangidas por estes limites, de modo que vem daí a importância da cláusula anti-fragmentação, que prevê o cálculo com base em grupos, não em entidades individuais.

O primeiro critério quantitative analisado é o da receita obtida pela empresa na jurisdição de análise, que não é um critério novo, já estando presente em propostas anteriores da OCDE.

Considera-se que um fornecedor de serviços digitais tem um SDP-PE no Estado-Membro de acolhimento, na medida em que “a proporção das receitas totais obtidas nesse período fiscal e resultante do fornecimento desses serviços digitais a utilizadores localizados nesse Estado-Membro nesse imposto. período excede 7 milhões de euros”. Receitas devem ser interpretadas como produtos de vendas e transsações digitais, independentemente da sua natureza e antes da incidência de tributos.

A autora pondera como este critério pode ser problemático, na medida da dificuldade de se mensurar quanto da receita da empresa adviria de serviços ou produtos digitais fornecidos no estado-membro, considerando, inclusive, a possibilidade de relações triangulares e até multidirecionais, em que as receitas podem originar de diversos lugares. Limitações geográficas de rastreamento da geração de valor também são consideradas em sua crítica a este critério.

Como segundo critério quantitativo para definição de SDP-PE, a proposta de Diretiva tratou da quantidade de usuários. Será considerada como SDP-PE no estado-membro a empresa que tiver mais de 100 mil usuários nele localizados. Para tanto, consideram-se apenas usuários logados e registrados, excluindo-se usuários esporádicos. Este critério, contudo, não serve para plataformas que não exigem registro.

Por fim, o terceiro critério da proposta analisado pela Autora é o número de contratos comerciais firmados no estado-membro, que deve ser superior a 3000 para se considerar SDP-PE. Consideram-se apenas contratos firmados com empresas residentes no estado.

Em seguida, Eva passa a analisar também estes critérios quantitativos, a fim de verificar se eles possuem coerência com o critério central de geração de valor. Pontua, de plano, que nenhum critério quantitativo será capaz de refletir geração de valor se o serviço não puder se beneficiar do valor gerado pelo usuário.

Ourta questão que se coloca é a de que, uma bez atingido um ou mais critérios quantitativos, como mensurar a medida em que o estado-membro vai tributar os serviços digitais. A resposta vem da estrura já existente de atribuição de lucros à PE, com a introdução de alguns outros critérios. Nesse sentido, a Diretiva se refere a atividades economicamente relevantes realizadas pelo contriuinte através da interface digital naquele estado, como se o PE fosse separado. Após, busca-se verificar se este lucro teria sido obtido, independentemente do resto da empresa.

Eva critica este método, porque entende que o resultado destes cálculos será uma receita insignificante, o que torna a proposta sem utilidade prática. Além disso, a quantidade de lucro do PE pode não refletir a geração de valor a ele relacionada, o que afasta a proposta de seu objetivo/critério central.

Vê-se, portanto, que, ao caracterizar a proposta de ousada, a Autora embrenha-se ela mesma em ousada empreitada, ao realizer críticas pontuais ao projeto, ora coerentes, ora obscuras, mas tecendo importantes considerações na condição de acadêmica capaz de contribuir para o aprimoramento da proposta e, talvez, a construção de uma solução coerente e viável para o novo modelo econômico mundial.

Nova Categoria: resenhas do mestrado

Pois é, este blog está aqui sempre pra me amparar nas ideias soltas que vou tendo ao longo da vida. Ele precisa passar por uma reformulação, mas agora não é tempo para isso. Este mini-post é pra dizer que vou passar a publicar aqui minhas resenhas de textos lidos para as disciplinas no mestrado. É uma forma de propagar determinados conhecimentos a ajudar quem, eventualmente, deseje ler os textos e queira mais informações sobre ele, na avaliação sobre se vale a pena ou não a leitura para o que se busca naquele momento. A intenção então é ajudar geral e democratizar/compartilhar o conhecimento que estou adquirindo no mestrado.

Ah, detalhe: esta produção é absolutamente independente e se trata de exercício acadêmico, de modo que pode não estar completa e exaustiva, além de refletir muitos pontos de minha interpretação e opinião pessoal.

Vamo que vamo então, beijas!!

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Desapego

Eu fico longe, me esqueço daqui, a vida me leva e a quantidade de compromissos e mudanças constantes me envolvem. Este ano, então, nu!! Muita coisa mudou e varias transformações germinadas ao longo dos últimos anos finalmente aconteceram. Depois escrevo um post sobre isso, esse vai demandar mais tempo e concentração.

Quero falar agora é sobre algo que desejo fazer também há alguns anos, mas que nunca tive empenho ou decisão suficiente pra fazer: ficar um tempo sem comprar roupas. Certa vez (ano passado, acho), me propus a ficar 6 meses, pelo medo de realmente precisar de algo e acabar quebrando a proposta. Só que, em algum momento, isso se perdeu e eu nem sei mais se deu certo ou não. Fato é que comprei roupas. Não consegui cumprir o propósito, mas pelo menos fiz outra coisa muito boa: me desapeguei de varias peças de roupa e tenho tentado viver cada vez mais com menos, com o que é essencial e de que realmente preciso. Com isso, óbvio, acabo comprando menos e com mais consciência. Mas ainda falta muito pra eu chegar onde gostaria.

Ainda tenho muita roupa que não uso, ou que não me serve mais. No meio desse processo, aliás, eu engordei uns 10 quilos. Custei a acreditar quando me dei conta, mas fato é que, nos últimos 5 anos, foi isso mesmo que cresci no corpo. E, com essa engorda toda, veio também um processo profundo de autoaceitação, de reconhecimento e de empoderamento. Aprendi a me amar, a ter carinho comigo e me olhar com cuidado e afeto, coisa que eu não fazia nem 10 quilos mais magra, quando, em tese (pra esses padrões aí) eu era mais “bonita”. Tudo isso aconteceu sem muita relação consciente entre uma coisa e outra, mas olhando pro processo hoje, vejo que essas mudanças todas compõem um sistema maior, universal e conectado de modo de viver que eu venho buscando e criando pra mim. 

Logicamente que o modo de me vestir e me relacionar com as roupas tem a ver com tudo isso. Seja por questões de escolha de consumo consciente e desapego, seja pelo fato objetivo de muitas roupas não me servirem mais, fui me desfazendo de muitas delas, com compreensão e gratidão por elas terem me servido por um tempo e dito às pessoas muito sobre mim, sem que eu precisasse falar. Mas ainda tenho muitas roupas, das quais não me desapego ainda pela ideia de que vou conseguir emagrecer e voltar àquele corpo de 5 anos atrás. Ora, não preciso trocar meu guarda-roupas, preciso emagrecer. Estou dizendo isso há um ano, mas recentemente me ocorreu o seguinte: e se meu corpo tiver realmente mudado depois dos 30 e não tiver mais nada a ver eu pesar aqueles 65 quilos e vestir aqueles shorts que não passam da minha bunda? E se esta for realmente a Isabelle de hoje, com este corpo e toda essa bagagem que ele carrega e representa? 

Talvez eu precise mesmo só de alguns shorts novos, de continuar cuidando de mim com uma alimentação consciente e com exercícios prazerosos e seguir na coisa de aceitar que tudo muda e tudo bem. Quem sabe ano que vem eu não consiga então não comprar nenhuma roupa? Até o fim do ano eu decido...

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Agora eu quero ir

Como é esse processo em que a gente mergulha na pessoa e no relacionamento e acaba se esquecendo um pouco de si? o Seu eu já não faz mais tanto sentido sem o outro e tudo que você faz o considera, ou lembra. Você faz coisas sozinha, com os amigos, sem ele e é maravilhoso! Mas agora ele tá sempre ali, como uma presença, uma lembrança, parte de algo que você deixou em casa, mas daqui a pouco vai lá reencontrar.

Tá errado isso? Parece que sim, quando você percebe que esse outro não tem a mesma forma de te colocar no dia a dia dele. Quando ele só se lembra de você de manhã e de noite, ou quando não te inclui nos planos dele pra se divertir. Ele está com você, mas só nos "dias certos". É como se existisse um código: nosso momento é final de semana, fora disso, é excepcional a gente se ver e falar. Porque o outro vive este outro relacionamento. Este, supostamente leve, supostamente espontâneo, mas que pra você soa como outro relacionamento.

Você está colocando os carros na frente dos bois, pulando uma etapa, adiantando as coisas. Mas, espera...que etapa? Que coisas? Existe um plano? Eu não sabia... talvez exista, mas eu não fui incluída nele. E aí é como se eu tivesse avançado o sinal e precisasse dar uns passos pra trás, pra poder andar junto. Senão, desanda.

Como é que eu faço?

Este parece um discurso do ego. É do ego eu querer receber do outro o mesmo que eu entrego, querer ser amada da mesma forma como eu amo. Pra ficar em paz, eu deveria apenas sentir o amor como ele é e deixar fluir... mas agora tô confusa. Onde entra a parte do cuidado com o outro e dos esforços para a construção de um relacionamento que cultive aquele amor? Porque relacionamento é de dois, não basta um estar confortável e tranquilo.

Como é que eu concilio isso? Non sei.

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Inspiração

Texto interessante e bem inspirador. Pra guardar...

http://www.papodehomem.com.br/esqueca-a-empolgacao-faca-um-minimo-a-cada-dia?utm_content=buffercd305&utm_medium=social&utm_source=facebook.com&utm_campaign=buffer

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Mais sobre Procrastinação

É, gente... cada dia mais eu percebo que isso não é só privilégio meu (ou tragédia, depende do resultado rs). MUITA gente procrastina sim, até mesmo aquelas pessoas mega produtivas, que dão inveja nos mortais como eu por acordarem às 5 da manhã pra malhar e fazerem tudo que planejaram praquele dia.

Pois é...a questão é como a gente lida com isso. Como vamos nos portar diante de algo que é visto e tratado por muitos como um defeito grave, sem ao menos olhar pras razões daquilo. Sem entender as raízes do problema e lidar com ela, preferindo simplesmente fazer a gente se sentir uma bosta porque não consegue parar de procrastinar.

É por isso que, frequentemente, eu leio sobre o assunto, estudo sobre métodos de organização do tempo e de tarefas, ouço especialistas e gente experiente falando sobre aquilo que eu sou e mostrando que não há nada de errado não ser como os outros querem que eu seja.

Se você se sente assim às vezes e acha que precisa entender melhor essa questão, pra lidar adequadamente com isso, assista a este TED. Sério, ele vai ajudar. Beijas.

http://www.ted.com/talks/tim_urban_inside_the_mind_of_a_master_procrastinator?utm_campaign=trilha_1807_-_email_4&utm_medium=email&utm_source=RD+Station#t-637159


quarta-feira, 27 de julho de 2016

Carta da Isabelle de 30 pra Isabelle de 25

Se eu puder te dar um conselho hoje, te digo pra atualizar seus sonhos e sonhar sempre. Sonhar e planejar a longo prazo, mesmo que isso não seja estanque e que você mude no meio do caminho. Sabe aquelas perguntas "onde você se imagina daqui a 10 anos"? Pois é, é bom fazer esse exercício e responder, senão você corre o risco de se passarem uns 5 anos e você simplesmente não saber mais o que fazer dali pra frente e vai se perder num tanto de opção, reflexão, possibilidade. Vai por mim, viver é melhor que sonhar, mas sonhar é preciso pra viver com mais sentido. Não para não! Não deixa a vida te levar. Sonha, planeja, deseja. E, claro, nunca se esqueça do que é importante pra você. É isso que vai te nortear se, de repente, você se vir sem rumo.

quinta-feira, 10 de março de 2016

Texto de fim de ano, quase chegando no meio...

Lá vai o meu textão... Sobre a coragem e vontade de compartilhar sentimentos com a comunidade. Não, não é exposição barata. 😉
Então, em 2015 eu me perdi. Esse é o melhor resumo da retrospectiva. Mas foi um perdido daqueles em que cada momento é um achado, encontrado, observado, digerido e lapidado. Foi um perdido daqueles que a gente dá quando se vê livre de imposições externas, que sempre nos balizaram e que, também, sempre serviram de arrego da culpa e responsabilidade. Afinal, com imposições externas a gente está livre do peso da decisão. Alguém decide por nós, mesmo que não seja o melhor, mesmo que a gente finja que a decisão foi nossa. Aí fica muito fácil, embora pareça difícil.
E aí a gente retroalimenta esse processo de tal forma que, quando ele se interrompe, é como se o chão fugisse e a gente tivesse que fazer malabarismos pra sobreviver. Afinal, todo o universo com o qual eu estava acostumada (ou pelo menos a estrutura emocional dele) se foi. E, por causa disso, todos os outros limites e parâmetros foram junto com ele, simplesmente porque eu não sabia mais o que eram os meus próprios limites.
Me perdi, então, até encontrá-los aos poucos. Me tomei da ansiedade de mostrar ao mundo todo o feminismo que eu reconhecia em mim, pra garantir que eu não tivesse mais que suportar atitudes machistas, principalmente as veladas. Me tomei da dificuldade de trabalhar, afinal, como é que você se concentra com tantos eventos, amigos novos, experiências novas que você precisa refletir se estão no seu limite interno ou não? Experiencias profundas, cuja reflexão não leva dois minutos apenas... Momentos de letargia em que você simplesmente não consegue se levantar. E aí, comecei a ver estremecida uma área da minha vida em que nunca tive dificuldades. Que susto! Me perdi...
Mas, ora, eu precisava viver isso um dia, todo mundo vive! Nesse turbilhão de escolhas, dificuldades, noites mal dormidas, farras, trabalho mecânico de cabeça cansada, tristeza, euforia, me envolvi com algumas pessoas e cada uma delas me ajudou a crescer um pouco no que sou e quero ser numa relação. Foram transições importantes de maturidade e consciência. Estava perdida, mas aprendendo, observando, deixando ser.
Novas amizades se estabeleceram e foram alicerces essenciais nessa reconstrução. Tanto que ficarão pra sempre, tatuados, sensatizados em mim. Tanto que precisei tomar cuidado em algum momento pra não substituir aquele lugar de controle e dominação que havia desabado (graças a Deus). Me perdi... Mas me achei aos poucos com a verdadeira e genuína vontade desses amigos, que me viram como parte deles e me resgataram, com amor, honestidade e consciência. Vocês sabem de quem eu tô falando.
Acontece que meu ano foi acabando muito bem. Eu, caçadora de mim, fui me achando em surtos de cansaço (do trabalho e da vida que tava levando) e percebendo que meu corpo e mente não dão conta de tudo isso. Tive oportunidade de reviver experiências antigas, que me lembrei que me davam força e prazer, energia pra batalha seguinte.
E resolvi firmá-las pra 2016. Passei o reveillon em casa, com uma dessas fontes de energia pra qual eu nunca tinha olhado dessa forma. Sempre achei que elas me demandavam muito, mas nunca percebi o quanto me renovo com essas minhas meninas. Minhas amigas que, hoje, me confidenciam segredos, talvez por perceberem que a menina delas cresceu, se perdeu, mas fez disso um aprendizado grande de si mesma e do outro. Maturidade. Eu me perdi, mas tava era vivendo o caminho, a travessia, onde o real pra gente se apresenta. Então, não me perdi foi nada!
Eu atravessei o mar e cheguei à outra margem do rio em que ele se transformou, caudaloso, agitado, fundo e turvo. Fui parar num ponto da margem que não era o que eu via do lado de lá. Mas é assim o perigoso do viver né?
Preciso, então, dizer que sou grata. Não foi a sua ida que me desestruturou não. Ela só me mostrou como a minha vida estava fundada em bases frágeis de imagens, fantasias, show me up. A reconstrução do meu ser não tem a ver com o universo que se foi, mas vai muito além disso. É sobre mim e tudo que é importante pra mim. Sendo assim, sinto muito, me perdoa, eu te amo, sou grata.
Pra 2016?
Coragem pra dizer e mostrar quem eu sou em todas as minhas diferenças, sem ter medo do que vão pensar de mim. Meus amigos (todos muito diferentes entre si) estão comigo porque são especiais e me amam como eu sou.
Movimento pra sair da inércia e vencer a preguiça de andar na vida, no Chico, nos patins.

E serenidade pra vencer a ansiedade de mostrar que eu sou mais do que pareço ser e deixar que isso se revele assim, aos poucos, como deve ser. Se eu me perder de novo, terá sido mesmo a correnteza do rio, porque consciência e conhecimento de mim eu tenho suficientes pra saber como devo proceder e pra aprender mais, caso algum procedimento desses não dê certo. Então, amigos, não é 2016 que vai ser melhor, serei eu.

quinta-feira, 9 de julho de 2015

A outra Margem do Rio

Só é possível sair do seu lugar, quando se cria a consciência de que ele não te serve mais. Só é possível chegar ao outro lado do rio da angústia, quando se atravessa no meio dela. Só dá pra construir algo novo, se for demolido o prédio que ali existe. É da vida, é da consciência, é do processo pessoal de crescimento e aprofundamento de si.

"Ah, tem uma repetição, que sempre outras vezes em minha vida acontece. Eu atravesso as coisas – e no meio da travessia não vejo! – só estava era entretido na idéia dos lugares de saída e de chegada. Assaz o senhor sabe: a gente quer passar um rio a nado, e passa; mas vai dar na outra banda é num ponto muito mais embaixo, bem diverso do em que primeiro se pensou. Viver nem não é muito perigoso?" João Guimarães Rosa, Grande Sertão, Veredas.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Desconstrução e reconstrução

Você já teve a sensação de que tudo que você fez durante algum momento na sua vida foi pra outra pessoa (ou por causa dela)? Acordei com essa sensação hj... Ou percepção rs.

Desconstrução e reconstrução de si mesmo pra vida nova é assim mesmo, a gente quebra paradigmas e enxerga realidades escondidas todo dia.

"A estrada dessa vida está difícil sem você. E você não está por perto pra poder me ajudar."

Foi cantarolando essa música (pérola do pagode clássico brasileiro, diga-se de passagem) que eu tive esse insight. Será essa a camada mais profunda de toda a minha dificuldade em me concentrar nas inúmeras tarefas que estavam me dando tanta vida e energia?? Será que é porque o start delas se deu em razão de um "você precisa ocupar mais seu tempo e parar de depositar sua felicidade em mim" (quando eu já trabalhava horrores e o pouco tempo livre que sobrava era pro relacionamento)??

Pensei que tinha sido bom pra mim. Que esta dolorida provocação havia me despertado para minha necessidade interna de fazer coisas diferentes e mudar minha vida. E como foi bom! Quanta energia eu gerei nesse movimento! Quantas descobertas, quantos resultados incríveis, quantas realizações!!

Mas foi ele ir embora que isso não se sustentou e eu aqui achando que era só uma tristeza pela ausência de um elemento que era tão presente (mais na minha cabeça que na realidade, eu sei).

Piiiiiiiiiii soa o alarme!! Hora de refletir e avaliar o real significado de tudo que você tem feito, pra perenizar aquilo que realmente é seu e aquilo que veio pra mostrar que você é sim feliz e não deposita isso no outro coisa nenhuma!! Difícil, porque tudo que você fez foi movido por interesses genuínos seus, coisas que você gosta, que te movem... Mas a reflexão vai fazer você entender isso aí, vai por mim!!

Tudo isso só pra lembrar como viver é perigoso e como a mente da gente mente, engana, disfarça e constrói mundos fundados em areia fina, se você não controla o ávido impulso que ela tem de te controlar... Fica a dica.